terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Passamentos

Chegou e dividiu espaço
Com outro e mais outro
Que chegou e confundiu-se
Com o próximo
E esclareceu o anterior
O anterior, o anterior
Que não havia ido embora
Só se disfarçou

E veio o seguinte que então turvou-se
O próximo desmentindo o primário
Que não foi o primeiro, só originário
De uma difusão
Ou uma confusão
Insolação?
que não sabe mais a causa
E que sequer teve propósito
Mas que continua e se segue

"Dor, coração, ilusão"
"Aquecimento global já não é ficção"
Pessoas afogadas, sem casa
Letras e letras e números
e cores e formas
Trovoadas ao fundo
Quadro de paisagem
Relâmpago
Pressa em dias de ócio
O estalar de um beijo
Tic tac no despertador biológico
que acorda às 12 h


A imagem de uns
Sobre a imagem de outros
O pessimismo de um
É a palavra de força
No abismo do julgamento
Um absolve e outro culpa
outro ecoa, outro se desfaz
outro ensoberba, outro submete
outro conclui, outro foge
Quando outro orienta
e outro
Que mente!

Um quadro cubista
De faces ocultas
Mostra-se
Lados e frentes
Um ser irreal
De mesma alma
E numerosas faces

Um trem sem rota ou trajetória

É o que se faz
nada nada nada
Até que se afoga
Em ondas cerebrais

domingo, 19 de dezembro de 2010

Sem clima

Céu azul e maré cheia
Dia nublado, seca a maré
Opostos do clima

Ventos contrários e fina areia
No olho do contratempo
Falta de clima

O mar assaltado
Num dia de sol e de lua minguando

O mar a saltos
Ondas vacilam na maré murchando

Águas ingratas
Enchem na maré cheia, de brio
Chuviscam nos dias sombrios

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Parágrafo

A que ponto quer chegar com tantas interrogações, usando sempre aspas sobre o fraterno, sem se preocupar com a exclamação que se me desperta? Sei, o signo é turvo, mas não vou usar os dois pontos. Em vez disso, acrescento mais um ponto para configurar o retrato das suas histórias "reticenciosas". Seria o ponto final após as nossas vírgulas? E, entre as nossas vírgulas, quantas páginas foram viradas? Toda página tem dois lados, o que você esconde no verso?

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Toca

Não
Toque as suas cordas, seu violão
Largue o meu corpo só, que não
Tem nada do tal instrumento

Não
Estique o pescoço, negue o cheiro
Negue o ciúme desordeiro
Poupe brandura, faça tormento.


Orle certo na sua oscilação
Toque umas pazes em canção
Mostre-me o bom desse sentimento.

Prosa de rua

Lá vem, o circo se arma ao passo que ela anda. Caminha e ele diz: Vem cá minha nega!

Com verbo de movimento
Vem todo tomado de
Si, fogo brando ou inquieto
Do queimar de chama e ardil.

Com amargo de suor
[Vim ciente que não nega]
Sem censura ou pudor
Te passa na vista e cega.

E se achega, encosta rente
Convencido e convincente.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

A risco

O risco da escrita
É o risco de ir embora
Ir-se embora da vista
Da mente sumir em má hora
Sumir ao destino da escrita
Palavra é do vão do agora
e/é (a)risca.

Ver também: http://brandaorla.blogspot.com/2010/11/mecanica-dos-fluidos_25.html

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Notícia

Assim como o empresário
Ela fez por costume espanhol
Registrou em seu nome o sol
E ele contabiliza os astros.

[Uma] Deixa de querer

Querer bem, bem querer,
é mais do que querer
É estar bem quando está
É mais que estado ou bom humor
É desejo, insatisfação
É nunca deixar de querer.

o a

Quem aprende apreende o que era livre
Prende e paga a prenda
O prazer não preza a pressa
E preencher o não prático é parábola
[O que prima de prosa não é prioridade]

A presa do primeiro não é
Propriamente prato do próximo

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Multiverso

Um universo
Invertido
Avesso às versões
Vertido
De verdade e veneno;
De versões várias
De verso uno
Diverso do mesmo.