quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Bobo da corte

Minha paixão é sorrir
Minha paixão é cantar
Minha paixão é sentir
Minha paixão é despertar
E por que não dizer?
Minha paixão é sofrer

Minha paixão é crescer
Minha paixão é ser imatura
Minha paixão é aprender
Minha paixão é não ter censura
E por que não dizer?
Minha paixão é ser burra

Minha paixão é conversar
Minha paixão é construir
Minha paixão é observar
Minha paixão não há de convir
E por que não falar?
Minha paixão é te olhar

Minha paixão é ter amor
Minha paixão é o amor pra dar
Paixão pra mim, pra você e pro senhor
Ter do que se encantar
Sem obrigação de se expor

Minha paixão é a pureza
O bem e o mal também
Minha paixão é a dureza
Do dia, da vida e o que mais tem
Minha paixão é gostar
Não só do que os convém

Minha paixão é ser grata
Pela torcida a favor ou contra
Pois aquilo que não me mata
Na minha evolução se encontra

Minha paixão é um bobo da corte
Prega peças por aí
Gentil, se apresenta:
Meu nome é viver, e você?
Ai daquele que não responder de bom-humor!

Murchado

Ocasiões lindas vividas
Hoje, apenas lembranças
Das emoções sentidas
Nenhuma saudade me alcança.

O seu olhar meigo
Que não mais aparece
Raramento chego a vê-lo
Pois forçoso me parece

De antes que era amor
Em simplicidade de flor
Hoje não mais tem cor
E espinhos você cultiva
Falhada a sua tentativa
De ferir-me com algo sem vida

Afastei-me, não sei, talvez
Para que eu tivesse clareza
Do que hoje beira a escassez
O que era antes correnteza
É gota que cai de vez... em vez.