quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Quisera saber viver devagar
Pudesse não só ver, mas contemplar (demoradamente)
Queria um tédio inocente e ser mais inocente
ainda; tanto, que não soubesse o que era

Aquela vergonha sendo pega rindo de súbito
aquela estupidez de alma que de tão cheia parece oca
de um vazio alegre e seco
sem marca, sem carma, sem fios
Sem nós

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Desp(ed)indo o sonho

A vida é ingênua. Tão ingênua que pare, que parte, que volta. É tão ingênua que sonha. Tão ingênua que conhece a morte. Aliás, é à morte que pertence o sonho; ele com seus restos de imagens sons, cheiros gostos, texturas, medos. Beleza do que resta e sobra das idéias com e sem comando, amontoados de sombras, presenças-ausências. Tantos conceitos desaguados em/para morte! O sonho é corrompido quanto mais próximo do real, quando o bom senso é regente, da sujeira da morte. Esta é quase tão ornada quanto a mentira e elas estão muito próximas.

A vida é pura, é bruta, é tosca, não cabe no senso. A vida anda de bicicleta e leva tombos e tombos quando cai pra baixo (às vezes pra cima) e faz feridas cheias de pus (sem mertiolate pra tratar). A vida tem vômito e placenta e vai parar na cesta de lixo. Comete incesto, estupra, faz picadinho, caga arrota e peida.

A vida é pura falta de estética.