segunda-feira, 14 de novembro de 2011

'A' sem toar

perdeu as exclamações e, em vez de asas, ganhou aspas...
Essa composição se alojou em estrofes
Ao compasso do tempo
Deixando vazios


nos intervalos

domingo, 30 de outubro de 2011

In anima

Rente à idéia de expansão está o gosto dos
limites
impostos
por grandes
paredes.
Cúmplice da fantasia do vôo é a satisfação de ter os pés tocando o chão. Entregue a mente aos céus desde que os pés estejam alinhados à terra e sejam aliados do chão numa confusão de nervos, veias, raízes, sangue e água, suor e seiva; epiderme, grão pó.

Bem junto a um ideal de liberdade, está a necessidade de pertencer, de ter um dono e uma propriedade.
Há um grito reivindicando a voz que defende as simples (ou grandes?) ideias e afirma o corpo, enquanto alguma perversidade... perversão, não sei, clama cheia de uma vontade de ser amordaçada, de ser dita. De ser imagem, contemplação fixa da estátua até a anulação

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Quisera saber viver devagar
Pudesse não só ver, mas contemplar (demoradamente)
Queria um tédio inocente e ser mais inocente
ainda; tanto, que não soubesse o que era

Aquela vergonha sendo pega rindo de súbito
aquela estupidez de alma que de tão cheia parece oca
de um vazio alegre e seco
sem marca, sem carma, sem fios
Sem nós

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Desp(ed)indo o sonho

A vida é ingênua. Tão ingênua que pare, que parte, que volta. É tão ingênua que sonha. Tão ingênua que conhece a morte. Aliás, é à morte que pertence o sonho; ele com seus restos de imagens sons, cheiros gostos, texturas, medos. Beleza do que resta e sobra das idéias com e sem comando, amontoados de sombras, presenças-ausências. Tantos conceitos desaguados em/para morte! O sonho é corrompido quanto mais próximo do real, quando o bom senso é regente, da sujeira da morte. Esta é quase tão ornada quanto a mentira e elas estão muito próximas.

A vida é pura, é bruta, é tosca, não cabe no senso. A vida anda de bicicleta e leva tombos e tombos quando cai pra baixo (às vezes pra cima) e faz feridas cheias de pus (sem mertiolate pra tratar). A vida tem vômito e placenta e vai parar na cesta de lixo. Comete incesto, estupra, faz picadinho, caga arrota e peida.

A vida é pura falta de estética.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Um papel amarelo

De letras azuis

Sonhou um dia

Um verbo quero

Que a nada conduz

Do tempo seria

Um quando


Quando não houvesse mensagem

Sobrasse contato

Dobrassem as vozes

Subtraísse nãos

terça-feira, 5 de julho de 2011

Trago da tarde

De tanta overdose de realidade
De laranja e pizza no almoço
De chacina ao jantar
De tragédia com café

Trago da tarde

Uma viagem que amorteça
Amor, teça uma rede de sonho
Sonhando uma renda preta
Não um "Renda-se!"

Para subornar o real...

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Ou eu

Amava o amor que tinha
O seu amor amava ele;
Ela amava o amor

Vencido um ardor vermelho
Procurava um amor lúcido
Conheceu mundo seu lilás

Descoberta de véu em sete
Procurou desconhecido
Tocou a própria mão.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Passamentos

Chegou e dividiu espaço
Com outro e mais outro
Que chegou e confundiu-se
Com o próximo
E esclareceu o anterior
O anterior, o anterior
Que não havia ido embora
Só se disfarçou

E veio o seguinte que então turvou-se
O próximo desmentindo o primário
Que não foi o primeiro, só originário
De uma difusão
Ou uma confusão
Insolação?
que não sabe mais a causa
E que sequer teve propósito
Mas que continua e se segue

"Dor, coração, ilusão"
"Aquecimento global já não é ficção"
Pessoas afogadas, sem casa
Letras e letras e números
e cores e formas
Trovoadas ao fundo
Quadro de paisagem
Relâmpago
Pressa em dias de ócio
O estalar de um beijo
Tic tac no despertador biológico
que acorda às 12 h


A imagem de uns
Sobre a imagem de outros
O pessimismo de um
É a palavra de força
No abismo do julgamento
Um absolve e outro culpa
outro ecoa, outro se desfaz
outro ensoberba, outro submete
outro conclui, outro foge
Quando outro orienta
e outro
Que mente!

Um quadro cubista
De faces ocultas
Mostra-se
Lados e frentes
Um ser irreal
De mesma alma
E numerosas faces

Um trem sem rota ou trajetória

É o que se faz
nada nada nada
Até que se afoga
Em ondas cerebrais