quarenta minutos abrindo a boca
seguidos sem ponto sem vírgula não te deixando falar as palavras misturadas sentimentos as leituras os amigos os desconhecidos as derrotas, os acidentes, o que se lia o que eu lia no que eu sentia que lia sentindo
Você respondeu: "Tu estás louca!"
Eu disse eu tenho medo. da palavra amor
quinta-feira, 30 de outubro de 2014
terça-feira, 21 de outubro de 2014
Poção
Ontem falei com mamãe sobre amor
e fiquei bem mais certa
de que a coisa é incerta
Um dia um senhor distinto disse que amor é absoluto
Tão certo de si, um sentimento soldado
equipado para o combate e prestes a derrotar
qualquer incerteza, qualquer inquietude íntima
Que o amor é porto-seguro, canto em que o ser aporta
O amor é do porto, diria
Mamãe me falou que isso é coisa que não acaba
Eu acho é que recomeça
Mesmo se não termina
- Raiva ou rima
É tanto maior quanto mais vira
Estou longe do porto
e meu amor é maré
Oscila. Ainda é água
Absoluto?
(= Erro de interpretação, o amor é uma bebida.
Lembra daquela cachaça que tomamos juntos?)
e fiquei bem mais certa
de que a coisa é incerta
Um dia um senhor distinto disse que amor é absoluto
Tão certo de si, um sentimento soldado
equipado para o combate e prestes a derrotar
qualquer incerteza, qualquer inquietude íntima
Que o amor é porto-seguro, canto em que o ser aporta
O amor é do porto, diria
Mamãe me falou que isso é coisa que não acaba
Eu acho é que recomeça
Mesmo se não termina
- Raiva ou rima
É tanto maior quanto mais vira
Estou longe do porto
e meu amor é maré
Oscila. Ainda é água
Absoluto?
(= Erro de interpretação, o amor é uma bebida.
Lembra daquela cachaça que tomamos juntos?)
sábado, 18 de outubro de 2014
segunda-feira, 13 de outubro de 2014
Ou o contrário
Que coisa esquisita
Seu corpo seguindo em frente
Sua cabeça dizendo "fica!"
Meu corpo dizendo "fica"
Minha cabeça gritando: não!
O espírito fugindo de medo
Meu corpo fugindo de medo
Minha cabeça buscando a prisão
A Coisa escapando à vista
Minha cabeça buscando o voo
Meu corpo enlaçado atado
Minha cabeça ordenando o passo
Meu corpo inútil, estático
Meu corpo dizendo adeus
Saí pela porta sem as pernas
Meu corpo dizendo até logo
domingo, 12 de outubro de 2014
Intenção
Quando você diz
Que eu desafino, amor
Quero te dar como resposta
Aquela música do Tom Jobim
Que eu esqueci a letra
Que eu desafino, amor
Quero te dar como resposta
Aquela música do Tom Jobim
Que eu esqueci a letra
Projetos
Primeiro: uma viagem à Saquarema, RJ, acompanhada de minha mãe e mais algum agregado qualquer. Uma viagem empreendida com objetivos bem claros: rever família e colegas da escola e do bairro, rever a escola, rever a praia e a igreja e o cemitério, rever as professoras da escola, rever a vizinhança, provar uma das frutas dos pés-de-alguma-coisa do quintal da antiga casa, os quais se não morreram devem produzir às dezenas. Dentro do objetivo de rever a praia: rever a ressaca do mar e os estragos causados pela invasão da água na pista e nas casas à beira-mar, voltar a "pegar jacaré", sentir cheiro de maresia na transição da madrugada para a manhã. Antes do objetivo de provar as frutas: verificar se o bairro ainda existe, verificar se ainda existe a casa, se não virou condomínio residencial de luxo, se tenho permissão para entrar, se o endereço está correto: R. dos Funcionários, nº 09. Quanto ao objetivo de rever a escola: saber se a cozinheira Rosângela ainda é viva e se ainda faz aquele belo feijão-arroz-ovocozido e aquela carne seca com abóbora, verificar se ampliaram o espaço dessa segunda casa, se derrubaram as árvores onde me escondia, se substituíram-nas por eucaliptos, ou se limparam tudo, se os brinquedos, que com certeza enferrujaram, foram trocados por outros, e quais, se esconderam a tampa da fossa que (antes exposta) era onde colocávamos as doações do pique-nique diário. Sobre rever os vizinhos: os cachorros morreram de velhos, D. Nancy está morta, Seu Costinha também, D. Dolores se afastou da política há anos, seus parentes me são estranhos, e acho que nem tenho quem visitar.
Previsão de decolagem: 2005. Atualização da data: fevereiro ou janeiro de 2016, viagem de miniférias após defesa da dissertação de mestrado.
Segundo: uma viagem sozinha, sem destino e mais ou menos sem data.
Meio de transporte: navio Previsão de aportagem: o quanto o estômago aguentar.
Terceiro: cumprir o projeto de mestrado dentro do limite de erros.
Previsão de decolagem: 2005. Atualização da data: fevereiro ou janeiro de 2016, viagem de miniférias após defesa da dissertação de mestrado.
Segundo: uma viagem sozinha, sem destino e mais ou menos sem data.
Meio de transporte: navio Previsão de aportagem: o quanto o estômago aguentar.
Terceiro: cumprir o projeto de mestrado dentro do limite de erros.
terça-feira, 7 de outubro de 2014
Literária
Na ânsia de buscar o outro, o perigo
De se perder de si
Mais que isso, o perigo de se perder
Ou talvez mais, o perigo de perder toda a noção
Quem imaginaria
Uma obsessão
Um transtorno
Uma duplicação bivitelina
Estou caindo na armadilha
Perdidamente apaixonada por outro
Corrijo:
Loucamente apaixonada pelo outro.
De se perder de si
Mais que isso, o perigo de se perder
Ou talvez mais, o perigo de perder toda a noção
Quem imaginaria
Uma obsessão
Um transtorno
Uma duplicação bivitelina
Estou caindo na armadilha
Perdidamente apaixonada por outro
Corrijo:
Loucamente apaixonada pelo outro.
Você, meu livro
Estou tão tentada de te deixar entregue à espera!
Você é meu livro; te largo no sofá, enquanto preparo o café
Te ponho no meu colo enquanto petisco bolachas
Te protejo, te embalo
Te envolvo nos meus braços
Te saboreio, te faço de companhia
Te escancaro minha solidão
Te subverto, te toco pouco a pouco, te redescubro
Te dobro, te driblo
Te esqueço a história. Vivo.
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