terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Passamentos

Chegou e dividiu espaço
Com outro e mais outro
Que chegou e confundiu-se
Com o próximo
E esclareceu o anterior
O anterior, o anterior
Que não havia ido embora
Só se disfarçou

E veio o seguinte que então turvou-se
O próximo desmentindo o primário
Que não foi o primeiro, só originário
De uma difusão
Ou uma confusão
Insolação?
que não sabe mais a causa
E que sequer teve propósito
Mas que continua e se segue

"Dor, coração, ilusão"
"Aquecimento global já não é ficção"
Pessoas afogadas, sem casa
Letras e letras e números
e cores e formas
Trovoadas ao fundo
Quadro de paisagem
Relâmpago
Pressa em dias de ócio
O estalar de um beijo
Tic tac no despertador biológico
que acorda às 12 h


A imagem de uns
Sobre a imagem de outros
O pessimismo de um
É a palavra de força
No abismo do julgamento
Um absolve e outro culpa
outro ecoa, outro se desfaz
outro ensoberba, outro submete
outro conclui, outro foge
Quando outro orienta
e outro
Que mente!

Um quadro cubista
De faces ocultas
Mostra-se
Lados e frentes
Um ser irreal
De mesma alma
E numerosas faces

Um trem sem rota ou trajetória

É o que se faz
nada nada nada
Até que se afoga
Em ondas cerebrais

3 comentários:

Orlando Ucella disse...

Legal!

Poeta (ou Não) disse...

ei, né por nada não,
mas o ritmo me lembrou altamente alvaro de Campos!!!^^
show!

J disse...

Logo ele! Fico honrada