sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Uma manhã

Escuta, amor, escuta
A agitação dessa hora tranquila
Escuta o cantor do galo e o grito dos pássaros
[Em bando
Escuta ao longe o latido dos cachorros
Expulsando as almas
Escuta a voz anterior ao dia

Escrevo antes que o sol nasça
Há pouco eu escutava a sua voz quase grave, encorpada
E, nos seus ouvidos, a minha voz era mais suave
Daqui desse pedaço de varanda, sobra do terraço
Contemplo esse pedaço da cidade
Mira onde os prédios não alcançam
Há uma linha fina e muito azul
Cortando dois amantes quase símiles
Um pendido e sustentado pela própria força – além do peso
Outro de um cinzento que deseja a cor
Que deseja ter em si o que separa
A distância, espera, presença em si mesma

sábado, 15 de novembro de 2014

Há tanto, que tem me passado pouco!
Lamento pesada não poder morar nessa frase
Construo morada de vento e o vento voa
Mais leve que bagaço de biscoito
Vacilo entre a volta e a meia-volta
Um qualquer tropeço me parece mortal
E o amor, fogo do final
Consome e destroça o coração preguiçoso
Se tantas palavras há de me dar
Não conheço espera que não seja doída
Eu, curiosa, sem caber em mim

Não conheci a calma e nenhum instante da vida

(Escrevi esse texto com muito sono. Foi no dia 11/11. Havia lido José Paulo Paes. Lembro que procurei pelos poemas dele depois de ver que era ele o tradutor de um livro de poemas que eu segurava. Não li ainda esse livro).

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Enquanto a escrita é desejo
Há sempre um poder maligno
Prestes a circuncidá-la
Esse poder maligno
Podemos dizê-lo
Chama-se ordem do discurso