domingo, 26 de agosto de 2012

"Há muito por vir"
Explosão eu desejo
Sem sopro inicial
Big bang, nada mais artificial
Fim almejo
Final...
Como se não creio?


mar de pessoas
mar de gente?
não me levem
não me carreguem
Deixem-me maré
mas não me elevem

domingo, 29 de julho de 2012

Bobagem

Por favor, não me pegue assim sem jeito bem na hora em que eu fingia não ligar
E de forma alguma faça novamente aquela pose de quarentão sorriso com dentes rangendo de forçado e braços pretensiosos acidentalmente curvados mostrando o seu bom porte, o bom corte – já me confundo – da sua camisa de botões. Ainda com aquele cabelo fio a fio penteado frente ao espelho trabalhando naquele topete estilo "ao sabor do vento".
Você só tem 34
Ah, mas por Deus, não deixe que eu enxergue em ti algumas rugas para me lembrarem que eu já vivi bastante e me esforço para lembrar do que posso sentir falta...

terça-feira, 24 de julho de 2012

terça-feira, 3 de julho de 2012

Acíclico

Quando falo de corpo não é isso
Digo: há um grito
de dentro?
Há fora lá fora?
Lá fora um perfume de cânfora
Contamina

Lá fora o produto de uma combinação acíclica
Conto minas
Para o campo de infertilidade
As minas inscrevem múltiplos sem "L"
Deixam-me ver que o incenso namorou o incêndio
Canto minhas voltas

E agora eu sinto o cheiro na secura da garganta
Não ouço, sinto a vibração de um estouro
ve jo udot cinza
Me perco nessa paz

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Desesperado desejo de caber

Fui pintada de uma cor que eu não reconheço e quando me vi não soube ser eu, me envolvi na teia de linguagem, e fiquei presa, maníaca por gostar da prisão. Cercada de significação. Paranóia. Amando o chão para meus pés e armando barreiras para meu corpo numa fobia de poder cair. Pânico.
Fui enrolada numa teia confortável ao limite do cabível, num encaixe de cobrir uma falta, um vazio, uma vaga deixada por descuido. Mas houve a brecha, calculada ao milímetro somente por onde eu poderia ver (ou me enganar com miragens) por isso quando sinto e vejo é só através dela; tudo o que sinto nomeio e para isso não vejo fuga. E tudo que era eu era o que tinha contato com o que era de fora. Eu era somente olhos, esqueci meu corpo não lembro em que momento.
Pensei que meu dizer tivesse uma voz, mas me perdi tentando distinguir seus tons, seus meio tons e seus vacilos. Estudei minha entonação e tentei mesmo controlar as suas ondas, num desejo feroz de agarrar-me em concretude. Num desespero de caber.
Assim, aos poucos esqueci os atributos do lugar e essa palavra me pareceu ter um som engraçado de eco e mais hoje qualquer direção merece um desvio. O centro se perdeu junto ao começo, pois não há mais ponto de partida. de ver. Não sei se conheço a margem, porque para mim a margem pode estar no meio. Há subjetividade na determinação de cada ponto, na quantificação do grau, na escolha de cada letra, em cada pausa da fala. 
Tenho a matemática, posso saber como caber

Perguntam, pergunto
Existem as coisas?
Existe o final das coisas?

Aquele homem só quer um final
Um final das coisas

Ele constrói, pois destruir é banal
E finaliza a obra

Ele constrói as casas e as casas terminam?
As casas ganham teto, ganham telha, telhado, madeira

Ganham matéria

As casas tem parede
Quebro a parede e faço uma porta, crio uma entrada
Entrada bem vista bem revestida
Mas onde está a saída? "escape" é nome vulgar)
Pergunto
Existe o final da matéria?

A vida exige um contorno final pro rabisco?
Exige matéria?

segunda-feira, 18 de junho de 2012


Para escrever
É preciso acontecer
Algo
No momento em que escrevo

Sabe? Não tem acontecido
Isto:

terça-feira, 15 de maio de 2012

Licença Creative Commons
O trabalho Não sem nós de Jucely Regis foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - NãoComercial - SemDerivados 3.0 Brasil.


Reflexo
Luz
Balanço
a Fazia
Membro
Fixa
Estacion... Estado
Flutua
Curva
Fina
Solta
         a Via
Fio
         Mecha
Elo
        

         ao Toque
desfeita
era
só Teia

sexta-feira, 27 de abril de 2012

vi-te

Aos seis anos eu tinha um sorriso largo de janelas
Lá ia caçando a bola
Boba, de um lado pro outro
Sonhei que sabia andar de bicicleta
e de manhã pedalei
Antes eu via sem prever
fofoca baixinho
pra deus não ouvir
Minha língua é bem maior quando estirada
Riso constrangido de não saber
mentira

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Desenraizei, amor

Despedida lânguida
Lábios alheios à hora
Acorde diminuto prolongado
Está...

Desenraizando
Olhos
Livrearbítrio das pupilas dilatadas
Sombras se amplificando em desleixo
Riscos desalinham
Tempo elástico... passado

Voz?

Olhar cético
Rosto líquido
Gestos longínquos.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Isto me cabe?

Licença Creative Commons
O trabalho Não sem nós de Jucely Regis foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - NãoComercial - SemDerivados 3.0 Brasil.

Alguém sofreu um lapso
dos lapsosfrequentes
Alguém perdeu sem ganhar
Algo valioso
Alguém escorregou perto do corrimão
sem saber cair
e pôs um pé atrás do outro
sem conhecer degrau

ou se fechou sem saber caber

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Escrita formiga

Mordida de formiga, discreta
Se faz é na pele dolorida
Mordida dada na caneta
É tinta que estoura na escrita
Arisca

domingo, 1 de abril de 2012

Mesmice



Quantos sorrisos sem destinatário!
Corpos se aproximam por todos os lados e eu estou no meio
Me vesti de alvo
Me pintei
Mas não fui o fim de nenhum caminho
Nem fui o tropeço

Quantas imagens e nenhuma é a minha
Tantas imagens e nenhuma é minha
Não sei refletir (,) sentir
Nem refratar
Só tenho instinto
Impulso
eu reprimi também
Suprimi Paixão?

Oco

sábado, 31 de março de 2012

sábado, 24 de março de 2012

Renome

Porque não tenho nome
E com renome
Nunca sonhei
Nem me esqueci
De nomear
Só não me lembrei
A quem dizer,
No momento,
Que não era mais um

Movimentos da palavra


Há palavras que fazem pouso de emergência em solos despreparados e aterrizam causando alguns estragos - mesmo que o solo não saiba contar a história de suas marcas -, enquanto outras repousam num eco do tempo e por vezes voltam cheias de melodia confortante. Já outras, a maioria, flutuam em balões comandadas por sopros ou ventanias, migrando para o sul ou para o norte. Estas ficam maiores e menores, conforme a longitude da lembrança, ou conforme a visão de quem recorda sua imagem-som, ou ainda de acordo com o peso da carga do balão; quanto mais carga (emotiva, eu diria, positiva ou negativa) se pôr nesse meio, mais próximas estarão as palavras, mais grandiosas elas serão. Mas as palavras às que não dá-se voo pesam mais.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Escrita e sensação

Licença Creative Commons
O trabalho Não sem nós de Jucely Regis foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - NãoComercial - SemDerivados 3.0 Brasil.

Sou uma escritora egoísta ... às vezes falo do mundo, mas de um mundo que não deixa de ser meu. Além disso, não escrevo por qualquer motivação maior, é uma questão de necessidade. Meus escritos tem parte no meu corpo e se deixo neles sensações é puro descuido; há milhões delas morando em mim e surgindo às vezes por causa de um cheiro, uma cor, uma palavra, uma imagem qualquer, mas ainda não aprendi a materializá-las. Se eu conseguir fazê-lo, será então minha grande conquista.


Não, não confie no que eu digo, me contradigo nem sempre de propósito. Respeite que eu sempre possa surpreender, eu também estou aprendendo.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Quaerere

Quase alcançava
Com mãos sôfregas
Quaerere, quero
Era um seu dito
Quando interdito
Não se apresentava
Sem fim um meio
Forjava inteiro

Regia e errava.
Era controle
Era destempero
Distan ciando. . .
Aproximando
Ora dando rédeas
Ora expulsando
De olhos pretos

É que pelo apelo
Seu desejo lhe fugia pelos dedos

Me envolvo


Eu sei
A cada passo que te quero bem
Pois o querer somente em escalas se perde.
E eu me perco em carícias,
Em olhares de promessas feitas sem querer
e beijos cheios dele.
É quase assim que no nosso encontro
me acho

domingo, 29 de janeiro de 2012

Àquele que gosta de café


Ao meio do dia ele perguntou assim sem pretender: alguém quer o chá das cinco? Não há meio mais seu de oferecer o que quer. Que seja, então pensei continuar o trabalho, pois não havia chegado o fim do expediente.
"Chá das cinco?" Pensei num estalo. Não tirei da cabeça como seria o gosto do chá às cinco.
Que eu me lembre, não desejei assim algo que não quis.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Ângulo disforme

Olhos amáveis, grandes e bem negros de curiosidade, mais amáveis ainda ao admirar o colega; a sua pele, o meu olhar julgou ter um tom amorenado. Mirava um ser interessante, cabelinho de índio, franja que era uma oca.


O primeiro sempre quase sempre estando mais perto, opondo o polegar e beliscando a camiseta do outro: por que fardado aqui? Talvez não importasse tanto saber... O ensejo foi preenchido, dedos em braço, mãos no cabelo faziam talvez não mais uma pergunta.

Quatro olhos. Havia somente quatro. Dois olhos mais se aproximavam e um terceiro se aproximava, um terceiro, par? Formava quadrados, indo de ponta a ponta, em volta, formava círculos. Triângulo, ângulo disforme. Mas havia somente dois.

Sem mais o quê, um pé numa canela; e quatro olhos miravam dois. Dois marejavam de dor, dois brilhavam num frenesi, estes dois olhos cheios de brilho mostravam à força como se afirmar