sábado, 31 de março de 2012

sábado, 24 de março de 2012

Renome

Porque não tenho nome
E com renome
Nunca sonhei
Nem me esqueci
De nomear
Só não me lembrei
A quem dizer,
No momento,
Que não era mais um

Movimentos da palavra


Há palavras que fazem pouso de emergência em solos despreparados e aterrizam causando alguns estragos - mesmo que o solo não saiba contar a história de suas marcas -, enquanto outras repousam num eco do tempo e por vezes voltam cheias de melodia confortante. Já outras, a maioria, flutuam em balões comandadas por sopros ou ventanias, migrando para o sul ou para o norte. Estas ficam maiores e menores, conforme a longitude da lembrança, ou conforme a visão de quem recorda sua imagem-som, ou ainda de acordo com o peso da carga do balão; quanto mais carga (emotiva, eu diria, positiva ou negativa) se pôr nesse meio, mais próximas estarão as palavras, mais grandiosas elas serão. Mas as palavras às que não dá-se voo pesam mais.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Escrita e sensação

Licença Creative Commons
O trabalho Não sem nós de Jucely Regis foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - NãoComercial - SemDerivados 3.0 Brasil.

Sou uma escritora egoísta ... às vezes falo do mundo, mas de um mundo que não deixa de ser meu. Além disso, não escrevo por qualquer motivação maior, é uma questão de necessidade. Meus escritos tem parte no meu corpo e se deixo neles sensações é puro descuido; há milhões delas morando em mim e surgindo às vezes por causa de um cheiro, uma cor, uma palavra, uma imagem qualquer, mas ainda não aprendi a materializá-las. Se eu conseguir fazê-lo, será então minha grande conquista.


Não, não confie no que eu digo, me contradigo nem sempre de propósito. Respeite que eu sempre possa surpreender, eu também estou aprendendo.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Quaerere

Quase alcançava
Com mãos sôfregas
Quaerere, quero
Era um seu dito
Quando interdito
Não se apresentava
Sem fim um meio
Forjava inteiro

Regia e errava.
Era controle
Era destempero
Distan ciando. . .
Aproximando
Ora dando rédeas
Ora expulsando
De olhos pretos

É que pelo apelo
Seu desejo lhe fugia pelos dedos

Me envolvo


Eu sei
A cada passo que te quero bem
Pois o querer somente em escalas se perde.
E eu me perco em carícias,
Em olhares de promessas feitas sem querer
e beijos cheios dele.
É quase assim que no nosso encontro
me acho

domingo, 29 de janeiro de 2012

Àquele que gosta de café


Ao meio do dia ele perguntou assim sem pretender: alguém quer o chá das cinco? Não há meio mais seu de oferecer o que quer. Que seja, então pensei continuar o trabalho, pois não havia chegado o fim do expediente.
"Chá das cinco?" Pensei num estalo. Não tirei da cabeça como seria o gosto do chá às cinco.
Que eu me lembre, não desejei assim algo que não quis.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Ângulo disforme

Olhos amáveis, grandes e bem negros de curiosidade, mais amáveis ainda ao admirar o colega; a sua pele, o meu olhar julgou ter um tom amorenado. Mirava um ser interessante, cabelinho de índio, franja que era uma oca.


O primeiro sempre quase sempre estando mais perto, opondo o polegar e beliscando a camiseta do outro: por que fardado aqui? Talvez não importasse tanto saber... O ensejo foi preenchido, dedos em braço, mãos no cabelo faziam talvez não mais uma pergunta.

Quatro olhos. Havia somente quatro. Dois olhos mais se aproximavam e um terceiro se aproximava, um terceiro, par? Formava quadrados, indo de ponta a ponta, em volta, formava círculos. Triângulo, ângulo disforme. Mas havia somente dois.

Sem mais o quê, um pé numa canela; e quatro olhos miravam dois. Dois marejavam de dor, dois brilhavam num frenesi, estes dois olhos cheios de brilho mostravam à força como se afirmar

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

'A' sem toar

perdeu as exclamações e, em vez de asas, ganhou aspas...
Essa composição se alojou em estrofes
Ao compasso do tempo
Deixando vazios


nos intervalos

domingo, 30 de outubro de 2011

In anima

Rente à idéia de expansão está o gosto dos
limites
impostos
por grandes
paredes.
Cúmplice da fantasia do vôo é a satisfação de ter os pés tocando o chão. Entregue a mente aos céus desde que os pés estejam alinhados à terra e sejam aliados do chão numa confusão de nervos, veias, raízes, sangue e água, suor e seiva; epiderme, grão pó.

Bem junto a um ideal de liberdade, está a necessidade de pertencer, de ter um dono e uma propriedade.
Há um grito reivindicando a voz que defende as simples (ou grandes?) ideias e afirma o corpo, enquanto alguma perversidade... perversão, não sei, clama cheia de uma vontade de ser amordaçada, de ser dita. De ser imagem, contemplação fixa da estátua até a anulação