sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Quaerere

Quase alcançava
Com mãos sôfregas
Quaerere, quero
Era um seu dito
Quando interdito
Não se apresentava
Sem fim um meio
Forjava inteiro

Regia e errava.
Era controle
Era destempero
Distan ciando. . .
Aproximando
Ora dando rédeas
Ora expulsando
De olhos pretos

É que pelo apelo
Seu desejo lhe fugia pelos dedos

Me envolvo


Eu sei
A cada passo que te quero bem
Pois o querer somente em escalas se perde.
E eu me perco em carícias,
Em olhares de promessas feitas sem querer
e beijos cheios dele.
É quase assim que no nosso encontro
me acho

domingo, 29 de janeiro de 2012

Àquele que gosta de café


Ao meio do dia ele perguntou assim sem pretender: alguém quer o chá das cinco? Não há meio mais seu de oferecer o que quer. Que seja, então pensei continuar o trabalho, pois não havia chegado o fim do expediente.
"Chá das cinco?" Pensei num estalo. Não tirei da cabeça como seria o gosto do chá às cinco.
Que eu me lembre, não desejei assim algo que não quis.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Ângulo disforme

Olhos amáveis, grandes e bem negros de curiosidade, mais amáveis ainda ao admirar o colega; a sua pele, o meu olhar julgou ter um tom amorenado. Mirava um ser interessante, cabelinho de índio, franja que era uma oca.


O primeiro sempre quase sempre estando mais perto, opondo o polegar e beliscando a camiseta do outro: por que fardado aqui? Talvez não importasse tanto saber... O ensejo foi preenchido, dedos em braço, mãos no cabelo faziam talvez não mais uma pergunta.

Quatro olhos. Havia somente quatro. Dois olhos mais se aproximavam e um terceiro se aproximava, um terceiro, par? Formava quadrados, indo de ponta a ponta, em volta, formava círculos. Triângulo, ângulo disforme. Mas havia somente dois.

Sem mais o quê, um pé numa canela; e quatro olhos miravam dois. Dois marejavam de dor, dois brilhavam num frenesi, estes dois olhos cheios de brilho mostravam à força como se afirmar

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

'A' sem toar

perdeu as exclamações e, em vez de asas, ganhou aspas...
Essa composição se alojou em estrofes
Ao compasso do tempo
Deixando vazios


nos intervalos

domingo, 30 de outubro de 2011

In anima

Rente à idéia de expansão está o gosto dos
limites
impostos
por grandes
paredes.
Cúmplice da fantasia do vôo é a satisfação de ter os pés tocando o chão. Entregue a mente aos céus desde que os pés estejam alinhados à terra e sejam aliados do chão numa confusão de nervos, veias, raízes, sangue e água, suor e seiva; epiderme, grão pó.

Bem junto a um ideal de liberdade, está a necessidade de pertencer, de ter um dono e uma propriedade.
Há um grito reivindicando a voz que defende as simples (ou grandes?) ideias e afirma o corpo, enquanto alguma perversidade... perversão, não sei, clama cheia de uma vontade de ser amordaçada, de ser dita. De ser imagem, contemplação fixa da estátua até a anulação

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Quisera saber viver devagar
Pudesse não só ver, mas contemplar (demoradamente)
Queria um tédio inocente e ser mais inocente
ainda; tanto, que não soubesse o que era

Aquela vergonha sendo pega rindo de súbito
aquela estupidez de alma que de tão cheia parece oca
de um vazio alegre e seco
sem marca, sem carma, sem fios
Sem nós

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Desp(ed)indo o sonho

A vida é ingênua. Tão ingênua que pare, que parte, que volta. É tão ingênua que sonha. Tão ingênua que conhece a morte. Aliás, é à morte que pertence o sonho; ele com seus restos de imagens sons, cheiros gostos, texturas, medos. Beleza do que resta e sobra das idéias com e sem comando, amontoados de sombras, presenças-ausências. Tantos conceitos desaguados em/para morte! O sonho é corrompido quanto mais próximo do real, quando o bom senso é regente, da sujeira da morte. Esta é quase tão ornada quanto a mentira e elas estão muito próximas.

A vida é pura, é bruta, é tosca, não cabe no senso. A vida anda de bicicleta e leva tombos e tombos quando cai pra baixo (às vezes pra cima) e faz feridas cheias de pus (sem mertiolate pra tratar). A vida tem vômito e placenta e vai parar na cesta de lixo. Comete incesto, estupra, faz picadinho, caga arrota e peida.

A vida é pura falta de estética.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Um papel amarelo

De letras azuis

Sonhou um dia

Um verbo quero

Que a nada conduz

Do tempo seria

Um quando


Quando não houvesse mensagem

Sobrasse contato

Dobrassem as vozes

Subtraísse nãos

terça-feira, 5 de julho de 2011

Trago da tarde

De tanta overdose de realidade
De laranja e pizza no almoço
De chacina ao jantar
De tragédia com café

Trago da tarde

Uma viagem que amorteça
Amor, teça uma rede de sonho
Sonhando uma renda preta
Não um "Renda-se!"

Para subornar o real...