quinta-feira, 17 de julho de 2014
De dentro
Comecei pelo lado esquerdo. Abri duas das portas, correspondente à parte chamada "lado das roupas de sair". Na ponta esquerda desse lado, saias e vestidos; algumas dobradas duas vezes; outras, três vezes (duas no comprimento, e uma vez na largura, para caber no território bem delimitado de uma mão aberta). Na ponta direita desse lado, mais próximo do centro, calças jeans e shorts, camisas de botão e algumas blusas esparsas; tudo devidamente classificado e separado pelas duas cores, alegre e triste.
Demorei um dia para chegar ao outro lado, pensando se havia porquê mexer ali. Quando então mergulhei as mãos na massa de tecidos, puxando-a contra mim, caí no chão junto com ela. Passei então à checagem.
Cheirei uma a uma, o que me causou uma momentânea alergia - era uma reação do organismo ao inebriamento de um odor estranho a ele.
O mofo tomava conta de muitas peças, então descartei algumas, e outras, levei para tomar sol. No final da tarde, apanhei-as. Uma a uma, separei aquelas que não tinham uso, esquecidas sem pretensão de dar uma volta na praça, daquelas poucas que serviam para qualquer ocasião. Estas eu pus no saco para doação, já que poderiam servir a qualquer um. As esquecidas... pendurei nos cabides, à altura dos olhos, mais perto do coração.
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