segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Pinheiros

A rua toda era aquele pinheiro, visto ao longe, de grande altura e majestade verde.
Era ainda mais grandioso de perto, pois quem vê com o olhar próximo, logo especula, às suas vistas, tamanho maior ao objeto contemplado. Em todos os galhos recheados daquele verde, ele me contava dos seus antigos natais, dos enfeites que colocaram nele, dos vinhos derramados nele por acidente nos dias 24/25 de dezembro durante um brinde animado, dos anos que se passaram enquanto ele crescia; dessa maneira fez com que eu me perdesse numa estranha sensação de saudade.
Mas, adentrando na casa das tantas lembranças (morada do pinheiro que não caberia em uma casa, pois para mim era senhor daquela rua), avistei um lírio - tão comum, tão ínfimo - que era quase impercepitível diante da grandeza daquele pinheiro. Agachei-me, com o respeito que nem sempre se tem ao lidar com ser tão singelo, em seguida senti o cheiro da pureza vista ou não na cor branca e na quase fraqueza daquela flor.
Eu soube do que me veio sobre a história do antes visto pinheiro: não foi ele que me contou, todas as lembranças que não eram minhas me vieram pelo meu olhar, este moldou a história da forma mais bela. Pois o pinheiro, embora fosse robusto e grandioso, nada disse, era inodoro e espinhento; se fosse palavra seria daquelas com grandes ornamentos, que chamam a atenção para algo grandioso, mas não cheiram bem. O lírio era que se mostrava na pureza e na sua simplicidade e que me disse tudo quanto era pouco o necessário, como o valor da sua fragrância; se fosse palavra seria das mais aveludadas e doces que soam como música e que chegam aos ouvidos como o movimento das marolas.
As palavras são como fragrâncias exaladas.

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