terça-feira, 5 de novembro de 2013

Ritimia

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Tenho agora um maldito susto
Permanente dentro do peito
Grudado no coração
Descontínuo ao extremo das mãos
Me descompassam as horas
Em cada linha curva dessas imagens confusas
Velozes como acidentes,
Lançadas em sobressalto

Premedita no prontuário
Prognostico o porvir
De uma ritimia elegíaca|

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Uma outra, segunda

Imagina só, pensei que eu fosse cética!
Hoje percebi que sigo um ritual; todos os dias quando me preparo para o almoço - com as mãos cheirando a cebola  depois de uma hora e meia de mais sal menos tempero e mais aroma, degusta, só beijo - pego um prato no armário e disponho o prato próximo ao fogo. Destampo a panela escapo o bafo da fervura.
Volto ao armário sem perceber que volto e pego outro prato pensando que é o primeiro. Despejo a concha cheia no segundo prato no mesmo momento que relembro o primeiro prato próximo do fogo somente quando o revejo.
Outro dia, mamãe perguntou: "quem é que come" comigo "todos os dias?". Senti inveja da observação, pois não suporto a sagacidade e a sede do seu olhar perto de lábios tão finos e boca tão pequena e certeira. Me limitei a fazer cara de tonta e nos outros dias continuei o ritual desavisadamente.
Em contrapartida (essa expressão não cabe aqui), algo saiu do lugar num dia que nem me lembro se ainda está perto ou se já faz parte das lembranças que se confundem com a imaginação. Talvez seja mesmo uma imagem difusa a desse passado que acontece hoje.
Pego um prato. Ponho perto do fogo. Pego o prato. Disponho a comida. Pego o terceiro (?!), ignorando que já me servi.
Porque uma segunda companhia?
Me indignei com essa invasão! Hoje eu não comi¹.
















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*Mentira. Nunca deixei de comer depois de sentir o cheiro da coisa pronta. Nunca vou conseguir explicar como cabe tanta fome num corpo como o meu.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Encontra, encontre o seu eu
No canto escora
Escuta nesse canto
O ensaio de uma verdade pássaro
Ofusca
Nesse olho
Os quatro cantos de
Outro mundo
Canta
Que recanto esconde
Toda uma vontade de ser

sábado, 27 de abril de 2013

Cruel num dizer

Quando diz uma "pessoa micha"
desescrevemos, Ser mixo
Afora tudo mais que ti
Movesse esse
Ego inflável, miserável
Que não fosse surra ou achincalhe
Opta pela sabida
Verdade (?)
= Toda crueldade de dizer "É
Linda"
É só.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Sou meio brega, sinto falta do que não tive, tipo Legião.
É saudade. Pena que não achei presença entre os congelados.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Tudo bem?

É o dia em que aquele tudo bem te abala
Tudo bem - a resposta - ...sem crise.
Tudo bem?
Logo ela me pergunta
Logo naquele dia, amor
Que dá saudade do que eu não tinha
A gente não têm
Amor

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Mania de superfícies

Sem noções de proporção

A melancolia me acertou
No off da televisão
O silêncio, meu amor
Não é falta de som

domingo, 13 de janeiro de 2013

Rasante

Me acabei de acabar
Aprendi a não ter fins
Quero ser profUnda
Como a palavra

Pois o que é scer?
Vida sem matéria
Parto sem dor
Não sei se volto

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

No segundo dia

Um dia terei lembranças da minha silhueta magra voltada para o mar, numa calma imperturbada, essa calma imperturbada que perto daquele mar que dentre outras coisas me fizeram ser chamada de sereia.
Que medo eu sinto já hoje... Eu me olhando numa foto antiga. Onde estarão guardadas as fotos digitais de hoje e o que me levará a achá-las velhas? Que traço me fará dizer "que antiguidade!" e reclamar de um passado que eu direi que tive?

domingo, 26 de agosto de 2012

"Há muito por vir"
Explosão eu desejo
Sem sopro inicial
Big bang, nada mais artificial
Fim almejo
Final...
Como se não creio?