quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Bobo da corte

Minha paixão é sorrir
Minha paixão é cantar
Minha paixão é sentir
Minha paixão é despertar
E por que não dizer?
Minha paixão é sofrer

Minha paixão é crescer
Minha paixão é ser imatura
Minha paixão é aprender
Minha paixão é não ter censura
E por que não dizer?
Minha paixão é ser burra

Minha paixão é conversar
Minha paixão é construir
Minha paixão é observar
Minha paixão não há de convir
E por que não falar?
Minha paixão é te olhar

Minha paixão é ter amor
Minha paixão é o amor pra dar
Paixão pra mim, pra você e pro senhor
Ter do que se encantar
Sem obrigação de se expor

Minha paixão é a pureza
O bem e o mal também
Minha paixão é a dureza
Do dia, da vida e o que mais tem
Minha paixão é gostar
Não só do que os convém

Minha paixão é ser grata
Pela torcida a favor ou contra
Pois aquilo que não me mata
Na minha evolução se encontra

Minha paixão é um bobo da corte
Prega peças por aí
Gentil, se apresenta:
Meu nome é viver, e você?
Ai daquele que não responder de bom-humor!

Murchado

Ocasiões lindas vividas
Hoje, apenas lembranças
Das emoções sentidas
Nenhuma saudade me alcança.

O seu olhar meigo
Que não mais aparece
Raramento chego a vê-lo
Pois forçoso me parece

De antes que era amor
Em simplicidade de flor
Hoje não mais tem cor
E espinhos você cultiva
Falhada a sua tentativa
De ferir-me com algo sem vida

Afastei-me, não sei, talvez
Para que eu tivesse clareza
Do que hoje beira a escassez
O que era antes correnteza
É gota que cai de vez... em vez.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Diz uma faceta humana

Mesquinha, incapaz de dar sem receber, dedicar-se sem ter retorno. Talvez seja um sinal da miséria, ser incapaz de atos de bondade que retornem nada, talvez se os fizer demais, esta bondade faça falta, pois não está em fartura. Aqueles que se dedicam ao bem sem olhar a quem... com certeza também esperam algo, nem que seja reconhecimento, olhar de notoriedade. Admiração é um ponto importante, deve ser bom sentir-se melhor do que os outros, mais humano - ou menos - em relação a todos. Logo, condenáveis os que não dizem "Obrigado!" ao receber uma boa ação, desrespeitando os 'bons modos' (tipo de de mecanização do como-ser-e-como-agir). Que gafe não reconhecer um tipo de fato tão extraordinário!

domingo, 25 de outubro de 2009

Eu queria uma canção para o nada. Para o nada na minha cabeça, para o nada no meu coração, para o nada em que me ocupo e dedico minutos longos de cada dia. Para tanta coisa que acontece a toda hora, com todo mundo, e chegando à mim se resume em nada.
Eu queria uma canção que falasse da cor no trajeto pra casa, da luz quase branca de dentro do ônibus, difusa e sem intensidade, misturando-se com a luz amarelada e e indecisa dos postes, que iluminam a vida no tráfego e às vezes a morte também.
Eu queria uma canção que lembrasse as vezes em que falam ininterruptamente e até gritam e gargalham próximo de mim sem que eu entenda uma só palavra, dos momentos em que minha mente se transporta para um lugar distante, próximo apenas das minhas inquietações, dos meus dilemas, dos planos incompletos. Nesses momentos de leve transe, quando um: "Ei, o que foi?" interrompe, sempre recebe a mesma resposta: "Nada." Verdadeiramente eu só estava entretida no meu conflituoso julgamento interno.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Vasta autoquestão

Mas é tão pouco espaço para que eu me perca,

Tão vastos pensamentos para eu me achar,

Tantas possibilidades para se pensar

Antes de acontecerem.

São lembranças próprias para que eu esqueça,

Em confusão inocente de criança má,

Réu por fazer planos sem executar.

Se me obedecerem...


Eu terei o controle e perderei:

Pisarei firme, em chão estéril,

Não flutuarei com gosto etéreo,

Como portando de incerteza.

O questionamento abandonarei,

A não unanimidade e o mistério

Dos meus sins e nãos num só planisfério...


Afasto a dúvida da frieza.

domingo, 31 de maio de 2009

Descobrir rótulos


Sou ... nem sempre, nunca totalmente.

Não há quem seja sempre justo,somos vulneráveis a fazer julgamentos errados. Não quem seja sempre honesto, existe também a vulnerabilidade de se corromper, há quem se corrompa em pequenos atos, há quem se entregue a tal "atividade".

Ninguém é totalmente malicioso, nem totalmente inocente, variamos em porções. Não há quem seja totalmente sincero, o simples ato de omitir pode se tornar hipocrisia; posto isso, também não há quem seja sempre fingido.

Somos assim dispostos para o "bem" ou para o "mal". Nossa graça está na nossa relatividade, conquanto essa graça se perca ao se falar em totalmente, muitos fazem isso.


Os ingênuos se limitam no sempre e no absoluto, impondo parâmetros, regras e rótulos, e fingem os odiar.

domingo, 28 de dezembro de 2008

Ouça


Que haja espaço para escutar. Que tenham o que falar que mereça ouvir. A cada momento cabe a opção de se permitir; são tantos momentos que a permissão é escutar.
Escutar para estar ciente do que se fala, para que aconselhe, para que tenha opnião e possa a expôr, para não ser um ignorante, para crescer e aprender mais, haverão vários momentos que exigirão este exercício de paciência e controle pois que deverá ser apenas ouvinte.

domingo, 17 de agosto de 2008

Valor, simplicidade, felicidade

A felicidade, que tanto se fala, dificilmente se desfruta de verdade. Diz-se muito: "A felicidade está nas coisas simples da vida".
Por que então a dificuldade em "encontrá-la"?
Penso que a felicidade está diretamente ligada com a satisfação e o que traz a satisfação é a conquista. Nossas grandes vitórias ocorrem quando conseguimos algo que pelejamos para obter, quando CONQUISTAMOS. Após a conquista vem a satisfação.
Acostumamo-nos a correr atrás do que almejamos, pois aprendemos que nada vem de graça. Ao menos ocorre assim com os que tem pouco. Os que tem muito quase sempre ganham tudo sem fazer esforço, por isso há ricos infelizes.
O que é conquistado passa a ser também valorizado.
Então conclui-se que a chave da felicidade está no valor que se dá ao que se tem ou ao que se conquista. As coisas simples da vida podem possuir a felicidade, esta é uma questão de dar valor, de valorizar a preciosidade que é viver.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Combustão da alma


Poesia,
Amor,
Amizade,
Sabedoria,
Satisfação,
Música...
Afinal, qual é o alimento da alma?

Parando pra analisar essas coisas, acharemos um ponto em comum: a emoção.


Sistematicamente um corpo
Que ainda respira
Segue e pára sem ter gozo
Em nada que faz nesta vida

O vazio que perdura
Ao redor deste ser estrutura
Uma espécie de moldura
Que o priva de viver

Faz-se oca criatura
Que esquece depois de madura
O alimento, a cura
Para a alma não morrer

Articulada pelo coração
Em forma de combustão
Sangue corre nas veias, emoção
Faz o fogo da vida acender


Por:Jucely Regis