o mero cupim
correndo a antiguidade da cômoda
parecia um grito de socorro, de Evans
quinta-feira, 3 de julho de 2014
Cigana das mais previsíveis leituras
E você vê mim um quê de mistério
Suplico que vá além
Da sedução aparente
Que aplaque o jogo dos começos
Véus e olhares oblíquos
Dançando freneticamente. alguma força me possui
Dona de mim, te nego, te rogo
Que dissipe a imagem
Há tanto mais que isso
Alguma onda percorre a corrente sanguínea
Fazendo acesso pela escuta
Não se sabe, voz ou ruído, ou uivo, ou grito primitivo
Insistentemente assignificante
Me desatando de mim...
E você vê mim um quê de mistério
Suplico que vá além
Da sedução aparente
Que aplaque o jogo dos começos
Véus e olhares oblíquos
Dançando freneticamente. alguma força me possui
Dona de mim, te nego, te rogo
Que dissipe a imagem
Há tanto mais que isso
Alguma onda percorre a corrente sanguínea
Fazendo acesso pela escuta
Não se sabe, voz ou ruído, ou uivo, ou grito primitivo
Insistentemente assignificante
Me desatando de mim...
segunda-feira, 30 de junho de 2014
DELETE
Foto que não mais se rasga
Somente se apaga, apaga
Voz que esvanecia olvidada
Hoje se grava, se não grava
Se grava? Se apaga, apaga
Palavra, projeto, promessa quebrada
Se escreve, se apaga, apaga
Tudo o mais que se não descarta
Se descarta
Se não se esquece - ou se esquece, se disfarça
Se tem se perde, se apaga, apaga
Somente se apaga, apaga
Voz que esvanecia olvidada
Hoje se grava, se não grava
Se grava? Se apaga, apaga
Palavra, projeto, promessa quebrada
Se escreve, se apaga, apaga
Tudo o mais que se não descarta
Se descarta
Se não se esquece - ou se esquece, se disfarça
Se tem se perde, se apaga, apaga
quinta-feira, 27 de março de 2014
desejo de manchar a coerência, a concisão e a clareza
do contrato social em que figura minha assinatura
de revelar toda a esquisitice de gestos e olhares que não se contêm
de ir além dessas superfícies em que não se espelha
violar a correspondência, romper o lacre, rasgar o selo
procurar o Outro que não seja mais-um-que-não-sou-eu
perdendo-me no caminho sem saber que me procurava
Deixo ficar esse desejo, que é a vontade sem objeto (direto ou indireto)
do contrato social em que figura minha assinatura
de revelar toda a esquisitice de gestos e olhares que não se contêm
de ir além dessas superfícies em que não se espelha
violar a correspondência, romper o lacre, rasgar o selo
procurar o Outro que não seja mais-um-que-não-sou-eu
perdendo-me no caminho sem saber que me procurava
Deixo ficar esse desejo, que é a vontade sem objeto (direto ou indireto)
terça-feira, 21 de janeiro de 2014
Acho que meu sentimento por você
não cabe em palavras. Desfaz o clichê. Ou talvez as palavras é que sejam
maiores, já que sempre fui apaixonada por elas. O que sei ao certo é que eles
não tem o mesmo tamanho. O meu sentimento e as palavras.
Pensei um dia fazer uma
declaração de amor, mas o cinza dos balcões de escritórios e de gabinetes me
fez querer esquecer da palavra. Declaração, hoje, me parece algo tão formal e
solene, tão dentro do adequado e tão do lado de fora.
Aprendi a conviver com a pergunta? a
dúvida? uma incerteza
dentro do íntimo que não conheço e que ninguém conhece.
Quanto ao sentimento, penso que
não preciso prestar contas a ninguém. Me desculpe por isso, não por isso.
sábado, 21 de dezembro de 2013
Esquece tudo que eu quis te dizer, e se concentra nessa pulsação. Não sei dizer adeus. Por isso te olho como se congelassem a câmera. Mas também não sei se posso seguir em frente. Alucino que progrido, subo o degrau, escalo a montanha - ou não seria isso, faço um traslado reto rumo ao horizonte enquanto sua lembrança me contempla, ou contempla aquela figura que se desmancha na distância... só mais um ponto colorido, um traço de vida tornada impossível pela quilometragem
terça-feira, 5 de novembro de 2013
Ritimia

O trabalho Não sem nós de Jucely Regis foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - NãoComercial - SemDerivados 3.0 Brasil.
Tenho agora um maldito susto
Permanente dentro do peito
Grudado no coração
Descontínuo ao extremo das mãos
Me descompassam as horas
Em cada linha curva dessas imagens confusas
Velozes como acidentes,
Lançadas em sobressalto
Premedita no prontuário
Prognostico o porvir
De uma ritimia elegíaca|
segunda-feira, 16 de setembro de 2013
Uma outra, segunda
Imagina só, pensei que eu fosse cética!
Hoje percebi que sigo um ritual; todos os dias quando me preparo para o almoço - com as mãos cheirando a cebola depois de uma hora e meia de mais sal menos tempero e mais aroma, degusta, só beijo - pego um prato no armário e disponho o prato próximo ao fogo. Destampo a panela escapo o bafo da fervura.
Volto ao armário sem perceber que volto e pego outro prato pensando que é o primeiro. Despejo a concha cheia no segundo prato no mesmo momento que relembro o primeiro prato próximo do fogo somente quando o revejo.
Outro dia, mamãe perguntou: "quem é que come" comigo "todos os dias?". Senti inveja da observação, pois não suporto a sagacidade e a sede do seu olhar perto de lábios tão finos e boca tão pequena e certeira. Me limitei a fazer cara de tonta e nos outros dias continuei o ritual desavisadamente.
Em contrapartida (essa expressão não cabe aqui), algo saiu do lugar num dia que nem me lembro se ainda está perto ou se já faz parte das lembranças que se confundem com a imaginação. Talvez seja mesmo uma imagem difusa a desse passado que acontece hoje.
Pego um prato. Ponho perto do fogo. Pego o prato. Disponho a comida. Pego o terceiro (?!), ignorando que já me servi.
Porque uma segunda companhia?
Me indignei com essa invasão! Hoje eu não comi¹.
-----------------------------
*Mentira. Nunca deixei de comer depois de sentir o cheiro da coisa pronta. Nunca vou conseguir explicar como cabe tanta fome num corpo como o meu.
Hoje percebi que sigo um ritual; todos os dias quando me preparo para o almoço - com as mãos cheirando a cebola depois de uma hora e meia de mais sal menos tempero e mais aroma, degusta, só beijo - pego um prato no armário e disponho o prato próximo ao fogo. Destampo a panela escapo o bafo da fervura.
Volto ao armário sem perceber que volto e pego outro prato pensando que é o primeiro. Despejo a concha cheia no segundo prato no mesmo momento que relembro o primeiro prato próximo do fogo somente quando o revejo.
Outro dia, mamãe perguntou: "quem é que come" comigo "todos os dias?". Senti inveja da observação, pois não suporto a sagacidade e a sede do seu olhar perto de lábios tão finos e boca tão pequena e certeira. Me limitei a fazer cara de tonta e nos outros dias continuei o ritual desavisadamente.
Em contrapartida (essa expressão não cabe aqui), algo saiu do lugar num dia que nem me lembro se ainda está perto ou se já faz parte das lembranças que se confundem com a imaginação. Talvez seja mesmo uma imagem difusa a desse passado que acontece hoje.
Pego um prato. Ponho perto do fogo. Pego o prato. Disponho a comida. Pego o terceiro (?!), ignorando que já me servi.
Porque uma segunda companhia?
Me indignei com essa invasão! Hoje eu não comi¹.
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*Mentira. Nunca deixei de comer depois de sentir o cheiro da coisa pronta. Nunca vou conseguir explicar como cabe tanta fome num corpo como o meu.
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