Um dia terei lembranças da minha silhueta magra voltada para o mar, numa calma imperturbada, essa calma imperturbada que perto daquele mar que dentre outras coisas me fizeram ser chamada de sereia.
Que medo eu sinto já hoje... Eu me olhando numa foto antiga. Onde estarão guardadas as fotos digitais de hoje e o que me levará a achá-las velhas? Que traço me fará dizer "que antiguidade!" e reclamar de um passado que eu direi que tive?
terça-feira, 1 de janeiro de 2013
domingo, 26 de agosto de 2012
domingo, 29 de julho de 2012
Bobagem
Por favor, não me pegue assim sem jeito bem na hora em que eu fingia não ligar
E de forma alguma faça novamente aquela pose de quarentão sorriso com dentes rangendo de forçado e braços pretensiosos acidentalmente curvados mostrando o seu bom porte, o bom corte – já me confundo – da sua camisa de botões. Ainda com aquele cabelo fio a fio penteado frente ao espelho trabalhando naquele topete estilo "ao sabor do vento".
Você só tem 34
Ah, mas por Deus, não deixe que eu enxergue em ti algumas rugas para me lembrarem que eu já vivi bastante e me esforço para lembrar do que posso sentir falta...
terça-feira, 24 de julho de 2012
terça-feira, 3 de julho de 2012
Acíclico
Quando falo de corpo não é isso
Digo: há um grito
de dentro?
Há fora lá fora?
Lá fora um perfume de cânfora
Contamina
Lá fora o produto de uma combinação acíclica
Conto minas
Para o campo de infertilidade
As minas inscrevem múltiplos sem "L"
Deixam-me ver que o incenso namorou o incêndio
Canto minhas voltas
E agora eu sinto o cheiro na secura da garganta
Não ouço, sinto a vibração de um estouro
ve jo udot cinza
Me perco nessa paz
Digo: há um grito
de dentro?
Há fora lá fora?
Lá fora um perfume de cânfora
Contamina
Lá fora o produto de uma combinação acíclica
Conto minas
Para o campo de infertilidade
As minas inscrevem múltiplos sem "L"
Deixam-me ver que o incenso namorou o incêndio
Canto minhas voltas
E agora eu sinto o cheiro na secura da garganta
Não ouço, sinto a vibração de um estouro
ve jo udot cinza
Me perco nessa paz
quinta-feira, 21 de junho de 2012
Desesperado desejo de caber
Fui pintada de uma cor que eu não reconheço e quando me vi não soube
ser eu, me envolvi na teia de linguagem, e fiquei presa, maníaca por gostar da prisão. Cercada de significação. Paranóia. Amando o chão para meus pés e armando barreiras para meu corpo numa fobia de poder cair. Pânico.
Fui enrolada numa teia confortável ao limite do cabível, num encaixe de cobrir uma falta, um vazio, uma vaga deixada por descuido. Mas houve a brecha, calculada ao milímetro somente por onde eu poderia ver (ou me enganar com miragens) por isso quando sinto e vejo é só através dela; tudo o que sinto nomeio e para isso não vejo fuga. E tudo que era eu era o que tinha contato com o que era de fora. Eu era somente olhos, esqueci meu corpo não lembro em que momento.
Pensei que meu dizer tivesse uma voz, mas me perdi tentando distinguir seus tons, seus meio tons e seus vacilos. Estudei minha entonação e tentei mesmo controlar as suas ondas, num desejo feroz de agarrar-me em concretude. Num desespero de caber.
Assim, aos poucos esqueci os atributos do lugar e essa palavra me pareceu ter um som engraçado de eco e mais hoje qualquer direção merece um desvio. O centro se perdeu junto ao começo, pois não há mais ponto de partida. de ver. Não sei se conheço a margem, porque para mim a margem pode estar no meio. Há subjetividade na determinação de cada ponto, na quantificação do grau, na escolha de cada letra, em cada pausa da fala.
Tenho a matemática, posso saber como caber
Fui enrolada numa teia confortável ao limite do cabível, num encaixe de cobrir uma falta, um vazio, uma vaga deixada por descuido. Mas houve a brecha, calculada ao milímetro somente por onde eu poderia ver (ou me enganar com miragens) por isso quando sinto e vejo é só através dela; tudo o que sinto nomeio e para isso não vejo fuga. E tudo que era eu era o que tinha contato com o que era de fora. Eu era somente olhos, esqueci meu corpo não lembro em que momento.
Pensei que meu dizer tivesse uma voz, mas me perdi tentando distinguir seus tons, seus meio tons e seus vacilos. Estudei minha entonação e tentei mesmo controlar as suas ondas, num desejo feroz de agarrar-me em concretude. Num desespero de caber.
Assim, aos poucos esqueci os atributos do lugar e essa palavra me pareceu ter um som engraçado de eco e mais hoje qualquer direção merece um desvio. O centro se perdeu junto ao começo, pois não há mais ponto de partida. de ver. Não sei se conheço a margem, porque para mim a margem pode estar no meio. Há subjetividade na determinação de cada ponto, na quantificação do grau, na escolha de cada letra, em cada pausa da fala.
Tenho a matemática, posso saber como caber
Perguntam, pergunto
Existem as coisas?
Existe o final das coisas?
Aquele homem só quer um final
Um final das coisas
Ele constrói, pois destruir é banal
E finaliza a obra
Ele constrói as casas e as casas terminam?
As casas ganham teto, ganham telha, telhado, madeira
Ganham matéria
As casas tem parede
Quebro a parede e faço uma porta, crio uma entrada
Entrada bem vista bem revestida
Mas onde está a saída? "escape" é nome vulgar)
Pergunto
Existe o final da matéria?
A vida exige um contorno final pro rabisco?
Exige matéria?
segunda-feira, 18 de junho de 2012
terça-feira, 15 de maio de 2012

O trabalho Não sem nós de Jucely Regis foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - NãoComercial - SemDerivados 3.0 Brasil.
Reflexo
Luz
Balanço
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Fixa
Estacion... Estado
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