Há palavras que fazem pouso de emergência em solos despreparados e aterrizam causando alguns estragos - mesmo que o solo não saiba contar a história de suas marcas -, enquanto outras repousam num eco do tempo e por vezes voltam cheias de melodia confortante. Já outras, a maioria, flutuam em balões comandadas por sopros ou ventanias, migrando para o sul ou para o norte. Estas ficam maiores e menores, conforme a longitude da lembrança, ou conforme a visão de quem recorda sua imagem-som, ou ainda de acordo com o peso da carga do balão; quanto mais carga (emotiva, eu diria, positiva ou negativa) se pôr nesse meio, mais próximas estarão as palavras, mais grandiosas elas serão. Mas as palavras às que não dá-se voo pesam mais.