
Nunca fui de chorar, claro que já chorei, e não me envergonho disso, não é uma característica de um fraco chorar tendo motivos, mas sim inventar que o mundo não é bom para si e chorar, seja pra enganar outrem ou a si mesmo. Sempre o que fiz foi me controlar, me remediar, me acalmar e deixar a angústia passar. Sempre pago um preço por ser como sou, o mais recente é o preço que pago por ter tanto poder sobre meus sentimentos, até pela tristeza talvez, mas o vazio é algo que não se pode controlar e sempre fujo quando percebo que posso preenchê-lo, posso estar sendo nesse momento afetada pela tristeza, mas talvez eu tenha perdido o hábito de chorar; angústia vem e vejo que quero ou tenho que expulsar algo que está dentro de mim, sinto vontade de chorar, mas nem uma lágrima sequer cai de meus olhos trêmulos. É mesmo o desânimo o causador do fim, ele que sempre encerra minhas relações, põe fim aos meus projetos; ofusca meus sonhos, mas nunca põe um fim neles. Encontro minha liberdade no meu direito de imaginar o que eu quiser, de planejar, de quebrar a cara mesmo. O meu medo tenta me prender, mas não adianta. Eu me guardo, me guardo, me poupo, me controlo, mas tenho a necessidade de mudar. A tão prudente garota se entrega, aproveita, quebra a cara, no fim se recupera, só faz bem a ela. Então pra que o medo? Os extremos me atraem, me fazem sua prisioneira, mas antes prisioneira dos extremos que do meio-termo que domina os mesquinhos. Ou bem séria ou muito extrovertida, chata ou a mais sociável das pessoas, muito concentrada ou desligada do mundo, mesmo que seja só por instantes. Em muitos casos depende da minha vontade, tudo aquilo que for me definir parecerá uma contradição... seja um mapa astrológico, opiniões das pessoas que convivo, ou até eu posso parecer estar me contradizendo ao me definir.
Admiro a liberdade e tento conservar a minha. No momento eu não consigo é me libertar do meu purgatório interno pessoal.
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